quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pela janela aberta



Caio, às vezes afundo
em meu fosso de silêncio,
em meu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consigo
voltar, trazendo restos
do que achei
pelas profunduras da minha existência.

Meu amor, e você, o que encontra
em teu poço fechado?
Traumas, dores, resignação?
O que vê, de olhos cegos,
rancoroso e ferido por mim?

Não achará, amor,
no poço em que cai
o que no alto guardo para você:
um ramo de jasmim todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me tema, por favor não caia
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que você a dirija,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Não sou uma pastorinha doce
como em contos de fadas,
mas uma lenhadora que compartilha contigo
terras incríveis, vento e espinhos das montanhas.

Dê-me amor, sorria para mim
e me ajude a ser melhor.
Não se fira em mim, seria inútil,
não fira a mim porque ao mesmo tempo vai se ferir.

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