sexta-feira, 19 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Hoje acordei assim


Muitas mulheres acham que ficar bonita é fazer diariamente escova no cabelo e semanalmente as unhas. Você pode conferir que até as mais gordinhas cumprem com esta tarefa de forma exímia. Ricas ou pobres, elas dão um jeito de manter impecáveis a cabeleira e as mãos. Mas muitas sequer tentam fazer uma dieta ou levar uma vida saudável.

Para mim isto não é o mais importante. Não adianta apenas exaltar o belo que se pode comprar e ignorar o que precisa ser melhorado com esforço e dedicação. Aí é que está. Esta preguiçosa sensação de “missão cumprida” dá forças para aceitarem o que acham que não pode ser mudado – mas pode.

Cuidar-se vai além de frequentar um salão de beleza. É zelar pela sua primeira casa: seu corpo. É dia após dia dar alento para que ele continue abrigando sua mente e espírito da melhor forma possível. É comer direito, treinar direito, praticar um esporte com vontade. E não esquecer do resto: ler bons livros, fazer cursos, estudar!

A vaidade é algo perigoso e não digo aqui que sou contra ela. Porém, a vaidade de graça não tem graça. O que a vaidade é para a beleza deveríamos utilizá-la em vários âmbitos de nossa vida, sem a essência do “ser para aparecer”: deveríamos sim ser “vaidosos” para nos tornamos uma pessoa melhor, sermos “vaidosos” para nos tornarmos uma profissional melhor, uma esposa/ namorada melhor, enfim, um ser humano melhor.

A sociedade é ingrata com as mulheres e as trata como objetos. Esforçar-se para ser bonita por nada ou apenas para ser aceita no mundo não tem méritos. Somos bem mais que isso. E se não somos, podemos ser. Enquanto aceitarmos esse jogo, nada mudará. Parece instigante passarmos por lindos objetos, mas não podemos deixar sucumbir nossa capacidade de pensar, agir e de transformar o mundo. Tanto quanto os homens.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rogue Apparel






A Exposição da Rogue Apparel no Soul Tattoo Art e Café continua até dia 13 de Agosto, depois de passar pelo Café Suplicy. Reúne algumas fotos que viraram estampas da primeira coleção oficial da marca, assinadas pelo artista plástico Didu Losso.

Exposição Rogue Apparel
Sou Tattoo Art e Café
R. Oscar Freire 2.203, Pinheiros
www.soultattoo.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Av. Paulista



Demais esse poema! De W.F.Padovani.
visite: http://wfpadovani.blogspot.com/

Como se no véu
do nem tão antigo mas já remoto escuro
em que a imagem captada
permanecia reclusa
para que
por processo semelhante mesmo súbito
a retina a revelasse,
a Av. Paulista,
escassa luz da noite a escassa luz da noite,
tinha em gestação a imagem
que de si no século guardara.
E foi num recentíssimo instante
que,
da penumbra da própria câmera
com a qual invisível ao longo se fotografou,
a nova noturna Paulista,
à original luz,
e em inédito panorama,
ergueu-se pelos olhos
de quem
ainda que ao longe
carregava no imaginário
sua silhueta de sempre reta serpente
- e míope porque,
se não a enxergávamos
em detalhes
na antiguidade das quase ainda atuais noites,
ela,
com sua oculta câmera,
não refletia
o que agora
de nós,
à pupila restituída,
propaga.
No preâmbulo da madrugada,
e até que o extremo crepúsculo surja,
a Paulista,
já diáfana,
se eleva por cristais e espelhos.
Eleva-se pois,
mais leve,
parece que de um possível pouso em translúcida água,
que se é réptil é, pela estirpe, ave,
a avenida segue em igual possível suspenso rumo.
O impacto
aos olhos
de quem nela chega
depois do ocluso sol
se dá imediato:
o oásis de luz alastra-se como fina areia branca que refulge.
Todo o conjunto que integra as luminárias
- iodetos metálicos
em vez do vapor de sódio
nas lâmpadas,
e watts mais rentes
direcionados
para
o curso a motor entre as margens
e também às pedestres laterais -
restaura a larga via
sobreposta à cúpula do eixo do expandido Centro,
trazendo para a exposta superfície
suas cenas mais profundas,
e que antes esmaeciam.
O Masp,
a maior pequena joia,
incrustada de pedras preciosas
à metalurgia de Cézanne, Renoir, Monet e Manet,
e Toulouse,
e Van Gogh, Modigliani e Gauguin,
Degas,
El Greco, Goya, Velázquez,
Rembrandt, Rafael, Bellini e Ticiano,
e Portinari, Almeida, Anita, Carvalho,
e Brecheret,
e Picasso, Delacroix e Botticelli,
e de todos os outros fulgores,
a piramidal Fiesp,
o nó com a Brigadeiro,
o Santa Catarina,
com uma de suas mais belas reentrâncias,
que une o moderno e o que seria ruína do tempo à capela,
e com muros a lançar letras sobre o corpo, e a filosofia do corpo,
o Trianon, resumo de uma Mata Atlântica à la Villon,
a rosácea casa no lápis de Ramos de Azevedo,
a conexão com a Augusta,
e, ali, o Conjunto Nacional
ao reinado da alexandrina Livraria Cultura,
a, na frente, força em monobloco do Safra,
os outros bancos,
as lojas,
e as galerias,
inclusive
as de tempo em tempo
interditadas,
e por isso com entraves de concreto à porta,
os teatros,
e o buraco que em greco-romana arena
mostra a passagem com grafites para a Rebouças e Dr. Arnaldo,
as estações do metrô que como retrobocas alimentam o espaço,
e,
no meio de todas as brumas das memórias,
os resquícios ainda sólidos dos casarões da época do café,
e então a lenda dos barões do café como, da Paulista, precursores,
título, em linhas mais exatas, de outros barões,
os da indústria,
e do comércio,
como os Matarazzo, Assad, Rizkhalla e Weizflog,
e Von Bullow, Thiollier e Klabin,
e Siciliano, Scarpa, Schaumann e Crespi,
e, dos liberais, Moraes Barros, Sabino, Numa, Dias de Castro, Anhaia e Ferreira,
e, ainda, da única de nobreza imperial,
a Baronesa de Arary,
viúva pós-Campos Elíseos e Higienópolis
que tem seu nome no Treme-Treme,
e, por essas e outras referências, as aulas do Lefèvre,
mas,
já de volta ao cotidiano cimento,
a São Silvestre, que bem antes da meia-noite estica o final de ano,
o Réveillon de fogos e sons no ar,
a comemoração das torcidas,
as greves,
e passeatas,
e paradas,
e casuais encontros,
a feirinha de nostalgias,
com o bracelete de prata na silenciosa caixa,
e a de contemporâneos badulaques,
até com pastéis e acarajés,
os consulados,
os fotógrafos
cujo flash deságua na nova luz,
a igreja S. Luís,
as farmácias,
as eifféis antenas,
os prédios de uma improvável Nova York
- o Kissajikian que,
como outras cortinas de vidro,
faz da Paulista a reminiscência de um diurno retrato,
o Três Marias de geométrico rosa-e-azul,
o Nações Unidas de industrializadas residências,
o de autêntico sotaque Pauliceia,
o portentoso Churchill,
o pós-Mondrian Citi,
o charme do Savoy,
as relíquias do Saint Honoré,
o por muito no inventário Dumont Adams,
o robusto Copersucar,
os dropes da Anhembi Morumbi,
os arcos, sinos e quase secreta praça do neo-Brazilian,
o Grande Avenida,
a piscina como inusitado colar do Homs,
o Central Park,
a elipse do HSBC, que tenta encurvar a avenida,
o Mofarrej,
as gêmeas torres de Flores e Lopes,
o Banco do Brasil e o Central,
e o Chipre-e-Gibraltar -,
as estátuas de uma improvável Florença
- do Índio Pescador ao Arco-íris,
a Cariátide,
e Quatro Ventos de Bruno Giorgi,
o monumento ao libertário venezuelano Francisco Miranda,
Juvenal e o Dragão Madona da Lua,
o sem-título de Amílcar de Castro,
Disco del sole,
os subterrâneos verão, inverno, primavera e outono ladrilhados de Tomie Ohtake,
o Pássaro Rocca,
o Anhanguera em carrara,
o Caixeiro -,
os marronzinhos e seus talões,
os policiais,
os radares,
helicópteros,
ambulâncias e sirenes,
o laser que risca o céu,
os semáforos,
placas de rua,
faixas de pedestre como passarelas,
o canteiro central,
o resistente verde do mato em tupi da estrada da Real Grandeza,
os mendigos,
bares, lanchonetes, cafés,
os restaurantes,
os 44 abstratos azulejos na esquina com a Teixeira da Silva,
as horas e a temperatura digitais,
estacionamentos,
as construções,
a mansão dos Matarazzo sob o pó,
e o shopping que virá,
os corretores imobiliários,
o quase vago casario de Franco de Mello,
só aberto nos fins de semana para a feira de cães e gatos,
as paisagens da cidade nos vãos entre os edifícios,
os clubes,
academias,
os namorados,
casais,
solitários,
as crianças,
os, mesmo que não sejam, fictícios pardais,
e corujas,
o drama dos incêndios,
as, que existem, praças,
os pontos de táxi ali à beira,
o hotel,
casas de câmbio,
a high tech Fnac,
a tradição das páginas da Martins Fontes,
os gosta-de-teatro? e gosta-de-poesia?,
os hare krishna,
os entregadores de panfleto,
e de automáticos abraços,
os orelhões e a invasão dos celulares,
os pontos de wi-fi,
as filas de ingresso grátis,
os vendedores de guarda-chuva,
os ônibus de redivivos bondes,
os 200 mil moradores,
os 1 milhão e meio de transeuntes por dia,
e as surpresas que ali cada um tem,
as árvores e os neons do Natal,
a 2001 de artísticas películas,
o Reserva Cultural à descida do rés-do-chão,
as escadarias da Cásper,
e do prédio a sirene ao meio-dia,
que em Paris alertava a população sobre os nazistas ataques,
o Objetivo,
os ciclistas como vagalumes em traços pelo obscuro,
a etílica Prainha da Joaquim Eugênio,
pioneiro uruguaio da avenida,
os cinemas,
e o adeus ao Gemini,
o Itaú Cultural,
Sesc e Sesi,
as escolas,
faculdades,
as gravatas,
os saltos altos
- sobretudo
os da mulher
que se perde
na névoa
após a chuva -,
o ligeiro yakissoba,
a mancha de sangue
das vítimas de criminosa intolerância,
os pequenos engraxates,
o aroma de milho ao sal,
e do açúcar na pamonha,
os hippies,
o Cervantes e o Pasteur,
o Tribunal e o Fórum,
as araras, índios, frutas, flores e Santas Ceias
dos aleatórios pintores,
a Consolação que parece mas não é o ponto final,
e o sebo que se instalou no porão,
os casacos e cachecóis,
e tatuagens,
o saxofonista,
os guitarristas,
os violinistas,
as flautas bolivianas,
a cítara,
as estátuas vivas,
que se humanizam ao som das moedas,
a às vezes sexy vitrine da Any,
o diário homem e seu cachorro,
a dominical mulher e seu charuto,
os anônimos de célebre anonimato,
os atletas urbanos,
os pontos de ônibus cheios,
a funcional calçada,
e os limpadores de rua,
os cegos e suas trilhas,
os skatistas,
os patins,
os luminosos objetos quase não identificáveis
atirados como pipa ao alto pelos camelôs sem bancada,
e os camelôs com tudo de tudo na banca,
as velhinhas com malha de botão de madeira,
a linda filha com brinco de pérola ao lado do pai,
as lan houses,
os imigrantes,
os paulistas paulistanos,
os de 400,
os turistas,
os executivos,
as secretárias,
os gerentes,
os caixas,
os boys,
Pamplona, Peixoto Gomide, Campinas,
Haddock Lobo, Bela Cintra, Itapeva,
Maria Figueiredo, Carlos Sampaio, Leôncio de Carvalho
e todas as suas artérias,
e as paralelas Santos e São Carlos do Pinhal,
o Bristol, o Top Center, o Center 3,
as bancas de jornal,
e os isqueiros pendurados nelas para esquecidos avulsos fumantes,
e os cartões-postais à venda nelas:
Pacaembu, Anhangabaú, Ibirapuera,
Centro Velho,
Martinelli
e, metáfora da metáfora, a Paulista dentro da Paulista
- toda a avenida
enfim
desfila
à nova luz.
A noturna Paulista
por sua própria iluminação restaurada
não se esvai
aos primeiros solares raios:
ainda úmida,
desprende gotas
que se dissolvem
quase até o último líquido
durante o dia,
o que concede um pouco da aquosa lua da avenida
à pressa que há na tarde.
E o último líquido de cada gota
retém, por reflexos, como prisma,
a extensa velocidade após a aurora e o seco oceano de Eos,
que, no contrafluxo, se projeta
pelas remanescentes gotas em ciclo absorvidas
à correnteza da elétrica luz que antitreva se restitui
- deixando a Paulista,
e todos seus personagens, edifícios e histórias,
outra vez acesa a flutuar
em efêmeras tintas
que a cada segundo se renovam na amplidão do quadro.